De onde vem a oração mais conhecida do cristianismo, como ela chegou até nós e o que os textos antigos registram sobre ela.
O Pai Nosso é apresentado no Novo Testamento como a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos. Ela aparece em dois Evangelhos, em contextos e extensões diferentes[1]:
Versão mais longa, com sete pedidos. Faz parte de um ensinamento sobre como orar com simplicidade, sem repetir palavras em vão.
Versão mais curta. Surge quando um dos discípulos pede: “Senhor, ensina-nos a orar”.
Foi a forma de Mateus que a Igreja antiga adotou para o uso comunitário e litúrgico[5].
Os Evangelhos que chegaram até nós foram escritos em grego. Muitos estudiosos, porém, consideram que Jesus ensinava em aramaico, a língua falada na Galileia do século I. Por isso, o texto grego já seria, desde o início, uma tradução do ensinamento oral.
A palavra “Pai” como forma de se dirigir a Deus é um dos traços que mais chamam a atenção dos estudiosos nessa oração[6].
Os Evangelhos de Mateus e Lucas registram a oração por escrito[1].
A Didaqué, um dos manuais cristãos mais antigos que se conhecem, traz o texto do Pai Nosso e orienta os fiéis a rezá-lo três vezes ao dia. Ali já aparece a conclusão “pois teu é o poder e a glória para sempre”[2].
O escritor Tertuliano, em Cartago (norte da África), escreve o tratado Sobre a Oração, comentando cada frase do Pai Nosso e chamando-o de um resumo de todo o Evangelho[3].
São Cipriano de Cartago dedica um tratado inteiro à oração, Sobre a Oração do Senhor, explicando seus pedidos um a um[4].
No Ocidente, a oração passa a ser conhecida pelas duas primeiras palavras em latim, Pater Noster, e é rezada em latim pelos fiéis[5].
Com as traduções para as línguas modernas, algumas conferências de bispos revisam a redação. Na Itália, por exemplo, o novo Missal passou a usar “não nos abandones à tentação” a partir de 2020[8].
Muitas igrejas evangélicas e ortodoxas encerram o Pai Nosso com a frase “pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre”. Essa conclusão é chamada de doxologia (uma fórmula de louvor).
Ela não aparece nos manuscritos mais antigos do Evangelho de Mateus, mas já era usada muito cedo na oração das comunidades: a Didaqué registra “o poder e a glória”, e as Constituições Apostólicas (século IV) acrescentaram “o reino”[7]. Na missa católica, essa aclamação é dita logo após a oração, em vez de fazer parte dela[5].
No Brasil, a versão mais rezada nas igrejas católicas é esta:
Pai nosso, que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.
Igrejas evangélicas costumam usar a redação de traduções da Bíblia como a Almeida, com pequenas diferenças de palavras. A expressão “não nos deixeis cair em tentação” já é próxima do sentido adotado na revisão italiana[9].
Conteúdo de caráter histórico e informativo, baseado nas fontes listadas acima.